Entre
os muitos verbos que existem por essa Língua Portuguesa a fora, “ensinar” é um
dos mais lindos. E complicados. E abrangentes. E encantadores. E cheio de
responsabilidades. E complexos. E muitos “eteceteras” ainda, mas deixemos os
demais adjetivos para o post. Seja bem vindo! :)
Em
certa ocasião, eu como professora de música, precisei ajustar algumas turmas da
oficina de violão. Quando se trabalha com grupos, é meio complicado ter aquele
olhar pessoal que cada aluno merece. Temos várias individualidades num mesmo
espaço e, por mais que tratemos à turma como sendo um todo, há momentos em que
cada estudante precisa ser atendido de forma especial. Então, resolvi fazer uma
pequena “audição” com cada um, pra ver a quantas andavam as habilidades no
violão deles e, assim, separá-los em níveis para poder trabalhar de acordo.
Que
maravilhosa surpresa! Aqueles mesmos alunos que, há alguns meses não faziam
ideia de com segurar um violão, estavam agora seguros, dominando seu
instrumento, mostrando que sabiam o que estavam fazendo. Quase não contive a
emoção de ver que, o que cada um estava fazendo ali na minha frente, eu que
tinha ensinado. Demonstrado, insistido, vivido junto com eles.
Assim
como ler. Escrever. Calcular desde as fórmulas mais comuns, até as mais
complexas. Quem é professor sabe que não existe sentimento que se iguale àquele
de perceber que seu aluno aprendeu o que você ensinou.
Infelizmente,
nem tudo o que você tenta ensinar da certo. O professor nada mais é do que
aquele que coloca um mundo inteiro de conhecimento na mão do aluno. Se isso
será assimilado, vivido, aproveitado, é papel do próprio estudante. São tristes
as vezes em que fazemos o possível e impossível para o aluno realmente
aprender, e não temos sucesso... Porém, pessoalmente, eu tenho uma pontinha de
esperança de que, mesmo que, aparentemente, o aluno não aprendeu, em algum
momento da vida dele, ele se dará conta e vai lembrar.
E
saber que aqueles pequenos ou grandes estudantes que passaram por você, levarão
para a vida inteira o conhecimento e/ou as vivências que você colocou a
disposição dele, não tem preço. Talvez, mais para frente, ele nem lembre ao
certo como fazer um Dó Maior no violão. Mas ele já soube, já o usou, o tocou,
se apresentou com ele e viveu momentos que, esses sim, não esquecerá. E ter
parte dessa responsabilidade, como professor, é lindo!
Para
finalizar o post, nada mais justo do que essa linda reflexão trazida por Rubem Alves:
“Ensinar
é um exercício
de imortalidade.
De alguma forma
continuamos a viver
naqueles cujos olhos
aprenderam a ver o mundo
pela magia da nossa palavra.
O professor, assim, não morre
jamais...”

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