quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Ensine.


Entre os muitos verbos que existem por essa Língua Portuguesa a fora, “ensinar” é um dos mais lindos. E complicados. E abrangentes. E encantadores. E cheio de responsabilidades. E complexos. E muitos “eteceteras” ainda, mas deixemos os demais adjetivos para o post. Seja bem vindo! :)



Em certa ocasião, eu como professora de música, precisei ajustar algumas turmas da oficina de violão. Quando se trabalha com grupos, é meio complicado ter aquele olhar pessoal que cada aluno merece. Temos várias individualidades num mesmo espaço e, por mais que tratemos à turma como sendo um todo, há momentos em que cada estudante precisa ser atendido de forma especial. Então, resolvi fazer uma pequena “audição” com cada um, pra ver a quantas andavam as habilidades no violão deles e, assim, separá-los em níveis para poder trabalhar de acordo.

Que maravilhosa surpresa! Aqueles mesmos alunos que, há alguns meses não faziam ideia de com segurar um violão, estavam agora seguros, dominando seu instrumento, mostrando que sabiam o que estavam fazendo. Quase não contive a emoção de ver que, o que cada um estava fazendo ali na minha frente, eu que tinha ensinado. Demonstrado, insistido, vivido junto com eles.

Assim como ler. Escrever. Calcular desde as fórmulas mais comuns, até as mais complexas. Quem é professor sabe que não existe sentimento que se iguale àquele de perceber que seu aluno aprendeu o que você ensinou.

Infelizmente, nem tudo o que você tenta ensinar da certo. O professor nada mais é do que aquele que coloca um mundo inteiro de conhecimento na mão do aluno. Se isso será assimilado, vivido, aproveitado, é papel do próprio estudante. São tristes as vezes em que fazemos o possível e impossível para o aluno realmente aprender, e não temos sucesso... Porém, pessoalmente, eu tenho uma pontinha de esperança de que, mesmo que, aparentemente, o aluno não aprendeu, em algum momento da vida dele, ele se dará conta e vai lembrar.

E saber que aqueles pequenos ou grandes estudantes que passaram por você, levarão para a vida inteira o conhecimento e/ou as vivências que você colocou a disposição dele, não tem preço. Talvez, mais para frente, ele nem lembre ao certo como fazer um Dó Maior no violão. Mas ele já soube, já o usou, o tocou, se apresentou com ele e viveu momentos que, esses sim, não esquecerá. E ter parte dessa responsabilidade, como professor, é lindo!

Para finalizar o post, nada mais justo do que essa linda reflexão trazida por Rubem Alves:


“Ensinar
é um exercício
de imortalidade.
De alguma forma
continuamos a viver
naqueles cujos olhos
aprenderam a ver o mundo
pela magia da nossa palavra.
O professor, assim, não morre
jamais...”

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