Decididamente,
ser professor é algo que não é pra todo mundo. Ainda assim, todo mundo pode
ser. Parece contraditório, mas é bastante simples: se tu gostar, tu pode ser. E
o “gostar” também é uma questão de querer e o querer também é uma questão de
gostar. Pois é, agora ta começando a ficar confuso (risos) mas é sobre isso que
é o nosso primeiro post! Seja bem vindo. :)
Citemos
um livro. “Um bom professor faz toda a diferença” de Taylor Mali começa com uma
poesia interessantíssima. No poema é contado que, em certa ocasião, um advogado
fala sobre a profissão de educador com muito desprezo. O próprio autor do livro
é um professor que participa da cena, ouvindo as rudes colocações em silêncio.
Lá, ele não responde. Mas ao chegar em casa, escreve a poesia.
Em
um dos trechos da poesia, o professor responde ao advogado o que ele realmente
faz e o quanto ganha:
“Quer
saber mais o que eu faço?
Questionarem.
Criticarem.
Eu
os faço pedir desculpas sinceras.
Eu
os faço escrever, escrever, escrever,
E depois ler.
Eu
os faço soletrar
Ansioso,
exceção, ansioso, exceção,
Até
gravarem pra sempre a grafia correta dessas palavras.
Eu
faço os alunos demonstrarem todos os cálculos matemáticos realizados
para
chegar às respostas dos problemas.
E faço com que apresentem a redação final como se nunca tivessem produzido um
rascunho sequer.
Eu
os faço entender que, se você tem um talento, deve segui-lo.
E se alguém quiser julgá-lo pelo que você ganha, mostre o que você faz.
Olhe,
deixe-me explicar direitinho,
Para
você entender que estou dizendo a verdade:
Sabe
o que os professores fazem?
Os
professores fazem a diferença!
E você?”
O
jeito é conviver com uma rotina bem cansativa e estressante. Fins de semana são
pra relaxar, mas não completamente. Aula para planejar, provas e trabalhos pra
corrigir. Em sala de aula, aparecem os alunos engraçadinhos, com dificuldades,
revoltados, muito acima da média, muito abaixo da média... e você precisa
coloca-los por quatro horas na mesma sala e ensiná-los. Por vezes, educa-los.
Mostrar que o mundo não gira em torno das vontades de cada um e que ali, se não
reinar o respeito, nada acontece.
O
mais interessante de tudo são os momentos em que é necessário mostrar os dois
caminhos: o certo e o errado. E, mais difícil que isso, temos que deixa-los
escolher sozinhos. Os alunos vem, depois vão, e o professor continua ali. Numa
missão imprescindível ao mundo e sequer ganhando um salário bom.
Mas
então por que eles continuam lá?
Voltemos
a questão do início: porque eles gostam. E não é um “gostar” impresso nos genes
de alguns especiais seres humanos, é um “gostar” que veio da própria experiência ao exercer a profissão. O
gostar do dia-a-dia, das vivências e enxergar as dificuldades com olhos
esperançosos. É o gostar de agir, de melhorar um pouquinho do mundo e, como no
título do livro citado anteriormente, gostar de “fazer toda a diferença”.
Se,
depois de uma semana corrida, estressante e, por vezes frustrante, um aluno
olha em seus olhos e diz: “que sorte eu tive de ter a melhor professora do
mundo” e você se emociona, como se todos os problemas evaporassem naquele exato
segundo e tudo valesse a pena, parabéns! Você gosta! Você é professor.


Parabéns pelo blog. Com certeza muitos textos bons e fontes de reflexão serão publicados.
ResponderExcluirSó discordo com uma parte do início do texto, "Ainda assim, todo mundo pode ser". Eu penso que não, nem todos podem ser, assim como nem todos podem ser médicos, advogados, engenheiros, arquitetos, etc.
Precisa ter vocação para ser professor, assim como em qualquer outra profissão, por isso nem todos podem ser professores, ou médicos ou etc.
Talvez o discurso de que ser professor é um dom, ou até mesmo de que todos podem o ser, contribua para a falta de valorização dessa nobre profissão. Já que todos podem ser, valorizar para que, se encontro um professor em cada esquina?
Itiana! Muito obrigada pelo comentário e apoio ao blog! Quanto ao que foi discordado, é um ótimo fator para discussão e achamos muito bem colocado o ponto.
ResponderExcluirNo trecho, "Ainda assim, todo mundo pode ser", nos referimos à questão de que, quando se quer muito uma coisa e se vai atrás, pesquisando, tentando e, realmente, se dedicando, conseguimos. E por mais que nos professores, normalmente há a questão do dom, já presenciamos vários casos de pessoas que, aparentemente, não seriam bons professores, mas dominaram a profissão de uma forma muito bacana!
Enfim, obrigada mais uma vez pelo comentário e continue acompanhando nosso blog!!!
Beijos!!!